sábado, 31 de outubro de 2009

apostamos tudo

apostamos tudo

às vezes tu levantas-te de manhã da cama e pensas,
não vou fazê-lo, mas ris por dentro
lembrando todas as vezes que te sentiste assim, e
caminhas para a casa de banho, lavas-te, vês essa cara
ao espelho, ai ai ai, mas penteias-te na mesma,
vestes a roupa de sair à rua, dás de comer aos gatos, apanhas
o jornal dos horrores, coloca-lo em cima da mesa da cozinha, beijas
a tua mulher, e recuas o carro para a vida,
como milhões de outros que entram na arena mais uma vez.

agora estás na auto-estrada passando por entre o trânsito,
caminhas ao encontro de algo e de rigorosamente nada enquanto
ligas o rádio e apanhas Mozart, o que é algo, e de alguma maneira
consegues atravessar os dias lentos e os dias cheios de trabalho e os dias
aborrecidos e os dias horríveis e os dias raros, todos ao mesmo tempo bons
e ao mesmo tempo maus porque
somos ao mesmo tempo diferentes e iguais.

encontras a saída, conduzes pela zona mais perigosa
da cidade, sentindo-te momentaneamente bem enquanto Mozart
atravessa o teu cérebro e percorre os teus ossos e
sai pelos teus sapatos.

tem valido a pena lutar esta luta desigual
enquanto todos conduzimos
e apostamos num próximo dia.

Um comentário:

Zé Gabriel F. disse...

não tem valido a pena...
nada tem, ultimamente.

boas influencias
boa poesia

cheers!